Mostrando postagens com marcador bioquímica e farmacologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bioquímica e farmacologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Consumo da «pílula azul» pode causar perda de audição

Investigadores alertam que fármacos contra a disfunção eréctil podem afetar sistema auditivo


Viagra  apresentou mais danos do que outros fármacos idênticos
Viagra apresentou mais danos do que outros fármacos idênticos
Uma investigação da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, mostrou uma relação entre o consumo da pílula para a disfunção eréctil, o Viagra, e perdas de audição.

Os cientistas que participaram no estudo garantem que os outros fármacos do mesmo tipo, como o Cialis e o Levitra, também podem provocar o mesmo efeito, apesar dos testes nesses medicamentos terem sido inconclusivos.

“Apesar das limitações deste estudo, é prudente que os pacientes que usam estes fármacos sejam alertados sobre os sinais de danos na audição, e que sejam encorajados a procurar atendimento médico imediato para evitar problemas permanentes”
, aconselhou Gerald McGwin, autor principal do estudo.

Este é o primeiro estudo epidemiológico para avaliar a relação entre este tipo de terapêutica e a perda de audição a longo prazo. Porém, em 2007, a FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana que regula dos alimentos e fármacos, promoveu mudanças na bula desses remédios para alertar os pacientes desse risco, após vários casos de perda de audição terem sido reportados.

McGwin analisou dados de 11 525 homens com mais de 40 anos de idade, examidanos de 2003 a 2006.

A conclusão foi clara: os homens que utilizavam medicamentos para a disfunção eréctil regularmente tinham o dobro de probabilidades de apresentar perda de audição do que os homens que nunca usaram a pílula azul.

Geral McGwin, líder do estudo
Geral McGwin, líder do estudo
Esta relação foi mais forte entre os que usavam regularmente Viagra do que entre os que consumiam Cialis ou Levitra.

No entanto, aqui há algumas dúvidas e o cientista alerta que esta conclusão pode ser resultado da menor amostra de homens que usavam estes últimos medicamentos do que o universo do estudo.

Uma outra hipótese para explicar esse efeito colateral do Viagra é que os fármacos contra a disfunção eréctil, chamados fosfodieterase-5 (PDE-5i), funcionam pelo aumento do fluxo sanguíneo para certos tecidos do corpo e por isso favorecem a erecção.

“Talvez o efeito seja similar no tecido do ouvido, órgão que com um aumento do fluxo sanguíneo pode, potencialmente, causar danos que levem à perda de audição”, explica McGwin.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Níveis elevados de colesterol afectam mobilização de células a partir da medula óssea

Estudo pode ter implicações para transplantes de órgãos e compreensão do início do câncer.
Níveis elevados de colesterol são reconhecidos como fatores de risco para o início e progressão de vários cânceres. Agora, investigadores demonstram que níveis elevados de colesterol podem afetar o micro ambiente da medula óssea, mobilizando maior número de células da medula óssea para o sangue periférico. Esta descoberta, por Sérgio Dias e a sua equipe, um grupo externo do Instituto Gulbenkian de Ciência, é publicada na última edição da revista científica «Blood» e poderá ter implicações no transplante de órgãos e no estudo da progressão do câncer.
Os progenitores das células sanguíneas desenvolvem-se na medula óssea, onde maturam em micro ambientes específicos, denominados nichos, antes de sair para o sangue periférico, duma forma muito controlada. É do conhecimento geral que fatores externos afectam esses nichos e consequentemente a produção de células 'maduras' do sangue. Por exemplo, pacientes com níveis elevados de colesterol (hipercolesterolemia) têm mais células sanguíneas periféricas e mais plaquetas sanguíneas (trombocitose).

O grupo de Neoangiogénese, no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil, utilizou um modelo de ratinho que mimetiza a hipercolesterolemia para demonstrar que o colesterol interfere com o equilíbrio dos nichos celulares da medula óssea, e conduz a que um número elevado de células saiam da medula óssea para a periferia.

Esta descoberta pode ter implicações no transplante de órgãos e em doenças derivadas da medula óssea. Segundo Sérgio Dias, “esta é a primeira vez que se estabelece uma relação directa entre o colesterol e a mobilização de células da medula óssea. Num cenário de transplantação, acreditamos que os doentes com níveis elevados de colesterol poderão estar menos ‘receptivos’, visto que mais células sanguíneas estão a circular nos vasos periféricos. Estes doentes poderão beneficiar de terapias que controlem os níveis de colesterol.”

O investigador acrescenta que “além disso, como o colesterol mobiliza células da medula óssea, prevemos que isso crie mais espaço onde células malignas se podem expandir e disseminar para outros órgãos”.