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domingo, 21 de março de 2010

O cérebro define nosso gosto pela música



quinta-feira, 18 de março de 2010

Propriedades neurobiológicas ou “pílula de açúcar”?

Investigadores italianos explicam que efeito placebo pode curar


Acção de placebos está marcadamente ligada à esperança do paciente
Acção de placebos está marcadamente ligada à esperança do paciente
Muitos acreditam que o efeito de um placebo seja psicológico e apenas mensurável ou observável sobre uma pessoa que acredite na sua cura, ou seja, é uma substância sem actividade farmacológica e usada como testemunho de controlo em testes. Por isso, definem-no como uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. Há ainda quem lhe chame "pílula de açúcar". O efeito destes medicamentos tem intrigado durante séculos, mas agora um artigo publicado no jornal de medicina «The Lancet» traz novas abordagens sobre placebos. Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim (Itália), e os seus colegas, já se têm dedicado ao estudo do produto há algumas décadas e durante a prática descobriram que não é necessário usar um determinado placebo para conseguir o efeito no plano psicológico.

Segundo os investigadores italianos, os principais mecanismos dependem da espera dos doentes e do condicionamento. Quer se trate de uma dor ou dependência, a acção do produto está marcadamente ligada à esperança do paciente, ou por sugestão do médico.

No entanto, os benefícios não são apenas subjectivos, os placebos contêm incontestáveis propriedades neurobiológicas. Testes de ressonância magnética confirmam que estes induzem as mesmas alterações no cérebro do que substâncias morfínicas.

Placebo induzem alterações no cérebro idênticas a  substâncias morfínicas
Placebo induzem alterações no cérebro idênticas a substâncias morfínicas
Várias reacções objectivas foram observadas na actividade cerebral de doentes de Parkinson e de pessoas depressivas. Contudo um psicofarmacólogo, Jean-Jacques Aulas, explicou a um diário francês que o efeito placebo “não é universal” e que “não tem qualquer acção em infecções graves como septicemias ou cancro”.

Miolo de pão

Poderá um especialista prescrever conscienciosamente uma substância inactiva a um paciente? Por exemplo, o médico de Napoleão tratava doentes com ‘mica panis’, ou seja, miolo de pão.

Dependendo das moléculas contidas ou da personalidade do especialista que prescreve o produto, a eficácia é de certa forma influenciada pela crença. “Um bom médico está sempre optimista”, refere ainda o psicofarmacólogo.

O neurocientista italiano acrescenta que os antagonistas opiáceos reduzem o efeito placebo. “O efeito ocorre quando o cérebro espera o alívio da dor – faz com que o organismo produza opióides endógenos, ou seja, analgésicos naturais". Portanto, se o nosso cérebro espera obter analgésicos, o corpo pode produzi-los naturalmente.

Fabrizio Benedetti, sublinha ainda que palavras, o toque, cheiros ou aquilo que vemos podem ter um efeito no contexto da medicina, que determina expectativas e tendo isso em conta, os placebos podem ser vistos como um novo ramo da Medicina alternativa. Embora, esta teoria não seja tão bem aceite pelos cépticos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Neurobiologia explica como os hormônios unem ou afastam os casais

Bioquímica do amor

RIO - Um elixir do amor. Um tônico da fidelidade. Um simples exame de sangue que indique o parceiro ideal. Com as recentes descobertas na área da bioquímica, genética e neurofisiologia, cientistas já começam a entender quais e como as áreas do cérebro envolvidas com apego e fidelidade funcionam, e o papel dos hormônios na aproximação entre casais e na manutenção de relacionamentos duradouros. Agora, dizem, é apenas uma questão de tempo para se chegar a uma fórmula.

A neurobiologia do amor e da paixão foi um dos principais temas do quinto Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções, que ocorreu em Gramado esta semana. Com os avanços dessas pesquisas, talvez, num futuro não muito distante, seja possível combinar exames de sangue e de imagem para saber se um casal tende a dar certo ou não.

Casar-se ou continuar um namoro indefinidamente, ainda hoje uma questão sem resposta para alguns homens e mulheres, pode estar perto de ser resolvida. Os neurocientistas já sabem quais áreas o cérebro ativa em determinadas situações, como, num momento de estresse ou medo ou em indivíduos que consomem drogas. Agora esses conhecimentos estão sendo aplicados para entender a configuração das relações humanas, principalmente no que diz respeito à empatia e aos julgamentos morais.

No amor, as análises em neurociências confirmam o que muitos escritores e poetas já sabiam: apaixonar-se é tão inconsciente quanto sentir fome, com as duas reações ativando estruturas similares no cérebro. São processos vitais arraigados, que acionam áreas profundas do cérebro, e responsáveis pela recompensa. Elas foram se desenvolvendo durante milhares de anos no homem.

- A neurociência mostra que a paixão é antesala do amor. Na paixão ocorre a desativação de áreas ligadas ao juízo crítico, o que é apropriado ou não, e à identificação de ameaça no ambiente. Isso faz com que a pessoa apaixonada veja menos defeitos na outra. Daí a máxima de que o amor é cego - diz o neurocientista André Palmini, da divisão de neurologia e professor da PUC-RS, que falou sobre o tema no Congresso.

Com o passar do tempo, essas áreas associadas à paixão vão se tornando menos intensas, como se a pessoa fosse saciada aos poucos. Outras partes do cérebro, como a relacionada à empatia, são acionadas. A estrutura primitiva do cérebro que traz a sensação de bem-estar continua atuando. Por isso as pessoas continuam interessadas uma na outra, diz Palmini.

Só a biologia e a genética, porém, não explicam porque alguns relacionamentos duram mais tempo que outros. Isso porque há influência do meio ambiente. Mas a neurociência já descobriu substâncias importantes no apego e na fidelidade, como os hormônios ocitocina e a vasopressina. O primeiro é fabricado pelo hipotálamo e guardado na hipófise posterior. Sua função básica é ativar as contrações uterinas durante o parto e a liberação do leite na amamentação. E ainda ajuda casais a ficarem juntos por muito tempo. Ele é associado ao que as pessoas sentem, por exemplo, ao abraçar a outra por quem sentem grande estima. É chamado de "hormônio do amor". Tanto que a sua concentração durante o orgasmo se eleva em 400%.

Já a vasopressina é liberada pela neurohipófise e aumenta a pressão sanguínea. Ela também é liberada no ato sexual, trazendo sensação de prazer, o que aumenta as chances de um casal se acertar.

Para Palmini, não se sabe, inclusive do ponto de vista ético, os limites da neurobiologia. Talvez os cientistas possam desenvolver tratamentos para aumentar ou reduzir a produção dos hormônios do amor. E o antigo exame de sangue pré-nupcial dos nossos avós possa incluir uma análise dessas substâncias para saber se a química do casal realmente funciona, se corresponde à expectativa de fidelidade. É a questão de pele, comprovada cientificamente.

- Será que podemos conseguir a monogamia estimulando mais a produção de oxicitocina, um marcador químico para o apego? Quais serão as implicações? Haverá um tratamento com drogas para deixar a pessoa mais apaixonada? Até que ponto pode-se tratar e mudar o comportamento humano? São questões que estamos começando a discutir - diz Palmini.