quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Para entender ENERGIA



Máquina a vapor de Marcelino Gauthier
Foto: Museu tecnológico da Argentina
Desde o início do século XX, a humanidade tem passado por um processo de transformações sem precedentes na História. A produção industrial e agrícola cresce continuamente, as cidades tornam-se cada vez maiores e esse processo tem uma conseqüência: precisa-se cada vez mais de energia.

O grande aumento do uso de energia tem suas origens em meados do século XVIII, com a invenção da máquina a vapor, na Inglaterra. A primeira máquina construída por James Watt (1736-1819) foi ligada a um tear para fabricar tecido, em 1785. Até essa época a energia necessária ao funcionamento das máquinas era obtida dos músculos humanos, da tração animal, de quedas d'água ou moinhos de vento. A máquina a vapor obtém energia da queima do carvão, que libera o calor utilizado para produzir vapor.

Com o aperfeiçoamento das máquinas, foi possível diminuir seu tamanho e aumentar sua potência. Inicialmente as máquinas eram usadas como bombas de água, depois passaram a ser usadas na indústria têxtil e serrarias. No final do século XVIII, surgem as primeiras locomotivas.

Durante o século XIX, os seres humanos aprenderam a utilizar uma outra forma de energia: a eletricidade. Em 1880, a primeira lâmpada industrializável foi produzida e, dois anos depois, projetou-se a primeira usina produtora de energia elétrica. O motor elétrico e os motores que usam a energia de combustão foram desenvolvidos nessa época. O trem elétrico surge em 1879. Em 1893, os primeiros automóveis.
O que é energia?


A energia elétrica é produzida pela água
Apesar de sua enorme presença na vida de todos e de sua importância como conceito científico nas explicações dos fenômenos naturais, é muito difícil expressar por meio de uma definição o que é energia. Em física existe uma definição: energia é a capacidade de realizar trabalho. Mas essa definição não agrada nem mesmo aos físicos, pelas limitações que ela tem. Quando vemos uma lâmpada iluminando uma sala dizemos que ela está emitindo energia luminosa. É difícil imaginar como essa energia luminosa, emitida pela lâmpada e que se espalha pela sala, pode ser vista como uma "capacidade de realizar trabalho".

Assim, a compreensão do conceito de energia não vem do conhecimento de sua definição, mas sim da percepção de sua presença em todos os processos de transformação que ocorrem em nosso organismo, no ambiente terrestre ou no espaço sideral. No mundo macroscópico, das galáxias, estrelas e dos sistemas planetários, ou no microscópico, das células, moléculas, dos átomos ou das partículas subatômicas.
Conservação e transformação de energia

A principal característica da energia é sua conservação. Ela não pode ser criada, não pode ser destruída, só pode ser transformada. Sempre que uma quantidade de energia é necessária para alguma atividade, essa energia deve ser obtida por meio de transformações, a partir de outra forma já existente.

A energia pode assumir diferentes formas: elétrica, química, nuclear, térmica, luminosa, cinética. Quando ocorrem fenômenos no universo, seja a fissão de um núcleo atômico, a emissão de luz por uma estrela, a queda de uma pedra na gravidade terrestre, ou o funcionamento de um motor de carro, alguma transformação de energia também acontece.

Fontes de energia são os materiais ou fenômenos a partir dos quais podemos obter alguma forma de energia. Com o desenvolvimento tecnológico, os seres humanos descobriram várias dessas fontes. Atualmente, as mais utilizadas são:

  • petróleo e seus derivados;
  • carvão vegetal;
  • carvão mineral;
  • lenha;
  • álcool;
  • cursos d'água;
  • átomos de alguns elementos químicos como o Urânio e o Tório.

    Existem ainda outras fontes de energia que começaram a ser utilizadas há poucas décadas e representam uma pequena parcela das fontes atuais: o Sol (pelo uso direto da energia que ele emite), os ventos, o gás natural (metano, CH4).

    O gás utilizado no fogão é uma fonte de energia. Nas moléculas do gás existe energia armazenada na forma de energia química. Por meio de uma combustão (uma queima) essa energia química presente nas moléculas do gás se transforma em energia térmica (calor). Na água represada por uma barragem, a energia está armazenada na forma de energia potencial gravitacional. Se essa água for solta, ela cai ganhando velocidade, com a energia gravitacional se transformando em energia cinética, que pode ser transmitida a um gerador. No chuveiro elétrico, a energia da corrente elétrica, que é transportada por fios condutores, transforma-se em energia térmica (calor) ao passar pela resistência. Esse cal or aquece a água do banho.

    O aumento constante da exploração de novas fontes de energia interfere cada vez mais nos processos naturais. Grandes áreas alagadas por lagos artificiais, poluição atmosférica resultante da queima de combustíveis fósseis, aquecimento do ambiente pelo funcionamento de motores elétricos. As principais conseqüências dessa interferência humana são as alterações no ambiente terrestre e o desequilíbrio ecológico.
  • A origem da energia presente nas fontes


    Roda d'água transforma em rotação a energia da água que cai
    As fontes de energia nos possibilitam obter a energia necessária para as diversas atividades cotidianas. Mas, se ela não pode ser criada, qual a origem da energia presente no petróleo e seus derivados, no carvão vegetal, no carvão mineral, na lenha, no álcool, nos cursos d'água e nos átomos de alguns elementos químicos como o Urânio e o Tório?

    Nessa lista de fontes de energia, apenas as duas últimas (cursos d'água e átomos) não têm origem em seres vivos. Petróleo, carvão, lenha e álcool são fontes de energia que têm origem em materiais que fizeram parte do corpo de algum ser vivo. E qual a origem da energia presente nesses materiais, que são todos combustíveis?

    A energia química dos materiais combustíveis encontra-se armazenada em algumas de suas moléculas. Essas, por sua vez, são produzidas a partir de uma reação química fundamental para a existência de vida na Terra, a fotossíntese, que ocorre nos vegetais, nas algas e em alguns organismos unicelulares como as cianobactérias.

    Durante a reação de fotossíntese, moléculas de gás carbônico (CO2) combinam-se com moléculas de água (H2O), formando um açúcar, geralmente a glicose (C6H12O6), e gás oxigênio (O2), que se mistura ao ar. A reação de fotossíntese pode ser representada da seguinte maneira:




    Para essa reação ocorrer é preciso haver luz (energia luminosa) transformada, durante a fotossíntese, em energia potencial química, presente na molécula de açúcar. A presença da clorofila é indispensável, apesar de não fazer parte dos reagentes e dos produtos, porque ela é responsável por reações intermediárias que fazem parte da fotossíntese.

    Se os combustíveis têm origem em seres vivos e se os seres vivos obtêm energia da luz solar, por meio da fotossíntese, então, toda a energia existente nos combustíveis é uma energia proveniente do Sol.

    Voltando à lista de fontes de energia (petróleo, carvão mineral e vegetal, lenha, álcool, cursos d'água, átomos), vemos que a origem da energia dos combustíveis é o Sol. Falta considerar os cursos d'água e os átomos.

    No caso dos cursos d'água, qual a origem da energia que a água possui quando se encontra em lugares elevados, seja por causa do relevo natural ou de uma barragem? Neste caso, a energia que a água possui foi obtida quando ela se elevou na atmosfera, e na gravidade terrestre, depois de evaporar por ser aquecida pelo Sol. Ao se elevar, a água acumula energia potencial gravitacional. Como uma pedra que tiramos do chão e elevamos a uma certa altura. É essa energia que permite à água mover-se pelos cursos dos rios em direção às terras mais baixas, até chegar a um grande lago, ou no oceano. Como a pedra, ao ser solta, cai aumentando sua velocidade. Portanto, a energia presente nos cursos d'água também tem origem no Sol, pois é a energia solar que faz ocorrer o ciclo da água, começando por sua evaporação na superfície terrestre.

    Assim, de todas as fontes de energia citadas na lista,apenas a energia de reações nucleares nos átomos de certos elementos químicos não tem origem no Sol.

    O organismo humano obtém a energia necessária ao seu funcionamento pela respiração celular. A respiração celular é uma reação química como a combustão. Moléculas presentes nos alimentos reagem com oxigênio, liberando energia. Nos alimentos, a energia potencial química que suas moléculas possuem é, sempre, o resultado de reações de fotossíntese. Mesmo quando nos alimentamos de carne, a energia existente nesse alimento veio dos vegetais que um animal comeu. Podemos dizer, então, que nosso organismo, por meio dos alimentos, utiliza energia solar para manter-se vivo.
    A energia solar



    O sol é a principal fonte de energia na Terra Ilustração: SOHO (ESA e NASA)


    Quase toda a energia utilizada pela humanidade é, em última instância, energia solar. Quando queimamos carvão, obtendo energia térmica, estamos utilizando uma energia que o Sol emitiu há muitos anos e que foi transformada em energia potencial química, por uma reação de fotossíntese.

    No caso do petróleo, a fotossíntese ocorreu há milhões de anos. As plantas morreram, ou se transformaram em alimentos de outros seres vivos, que também morreram, e seus corpos passaram por inúmeras transformações que deram origem ao petróleo. Hoje, quando um automóvel a gasolina está se movendo, a energia luminosa transformada em energia química por meio de uma fotossíntese ocorrida há muito tempo, transforma-se em calor no interior do motor e move o carro. Ou seja, a energia cinética do carro a gasolina, ou óleo diesel, em movimento tem origem na energia solar emitida há milhões de anos.

    Mas, de onde vem a energia que o Sol emite? No interior do Sol ocorrem reações nucleares de fusão. Nessas reações, 4 núcleos de átomos de hidrogênio, ou seja, 4 prótons, se fundem, para formar um núcleo de átomo de hélio. Cada núcleo de hélio possui 2 prótons e dois nêutrons. Durante a fusão, dois dos prótons iniciais se transformam em nêutrons.




    Essa é uma representação simplificada da reação nuclear de fusão que ocorre no interior de estrelas como o Sol. Durante essa reação, uma grande quantidade de energia é liberada. Essa mesma reação nuclear ocorre quando uma bomba de hidrogênio (bomba-H) é detonada.


    Interior de um reator nuclear
    A energia liberada na reação nuclear surge da transformação de matéria em energia. A possibilidade de transformar matéria em energia foi considerada, pela primeira vez, pelo físico alemão Albert Einstein (1879-1955). Por meio de um complexo trabalho teórico, Einstein calculou a relação existente entre energia e matéria, mostrando que matéria e energia são formas diferentes de um mesmo objeto físico.

    A relação entre quantidades de matéria e energia é dada pela fórmula E = m . c2 na qual E é a energia, m é a massa convertida em energia e c é o valor da velocidade da luz no vácuo (300 mil km/s, ou 3,0 X108 m/s).

    Na reação nuclear que ocorre no Sol, a massa de cada átomo de hélio que se forma é ligeiramente menor que a massa dos 4 prótons que deram origem a ele. Essa diferença é devida à quantidade de matéria que foi transformada em energia durante a reação de fusão.

    No Sol, a cada segundo, 657 milhões de toneladas de hidrogênio transformam-se em 653 milhões de toneladas de hélio. As 4 milhões de toneladas de diferença correspondem à matéria que se transforma em energia, e é emitida pelo Sol em todas as direções do espaço.

    Texto original: Vinicius Signoreli
    Edição: Equipe EducaRede



  • segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    Visualização da replicação do DNA

    DUPLICAÇÃO DE DNA

    Gorilas órfãos ganham refúgio em plena selva do Congo

    Os animais refugiados em Grace são todos da subespécie chamada Grauer, o maior dos quatro tipos conhecidos de gorila, podendo pesar até 230 kg. Foto: The Dian Fossey Gorilla Fund International/Divulgação/BBC Brasil

    Os animais refugiados em Grace são todos da subespécie chamada Grauer, o maior dos quatro tipos conhecidos de gorila, podendo pesar até 230 kg
    Foto: The Dian Fossey Gorilla Fund International/Divulgação/BBC Brasil

    Uma fundação com sede nos Estados Unidos criou, em plena floresta da República Democrática do Congo, um refúgio para gorilas órfãos, onde os animais podem ser tratados e preparados para voltar à vida selvagem.

    O Centro de Reabilitação de Gorilas e Educação Conservacionista (Grace, na sigla em inglês) fica localizado em uma área de 140 hectares em meio à selva congolesa, na reserva natural de Tayna, podendo receber até 30 gorilas ao mesmo tempo.

    Os animais hospedados em Grace foram confiscados de caçadores que os mantinham em cativeiro depois de caçar e matar seus pais para comercializar a carne ilegalmente. Depois do cativeiro, os animais seriam vendidos - vivos ou mortos.

    Grace tem um centro veterinário (com atendimento clínico e área para cirurgias), dois "dormitórios" onde os animais passam a noite, um pátio interno para convívio entre eles e um observatório, de onde os gorilas podem ser vistos à distância, sem serem incomodados.

    Os animais refugiados em Grace são todos da subespécie chamada Grauer, o maior dos quatro tipos conhecidos de gorila, podendo pesar até 230 kg. Os gorilas de Grauer vivem exclusivamente no leste da República Democrática do Congo.

    A fundação Dian Fossey Gorilla Fund International, que deu início ao projeto Grace, afirma que o habitat destes animais está sendo cada vez mais dilapidado pela ação do homem. Em 1995, a estimativa era que existissem apenas 16 mil espécimes na região - e, segundo a entidade, o número hoje é certamente menor.

    "Nós rezamos para que nenhum outro filhote seja levado por caçadores, mas nós sabemos que isto não é um pensamento realista", diz Sandy Jones, gerente da fundação. "Como o território dos gorilas de Grauer é tão vasto, e em sua maior parte inexplorado e inseguro, nós esperamos confiscar mais animais no futuro", afirma.

    Quarentena
    Os quatro primeiros gorilas chegaram ao refúgio em abril de 2010, com ajuda de um helicóptero da Monuc, a força de paz da ONU no Congo. Antes disso, eles passaram por uma quarentena na cidade congolesa de Goma, onde receberam os primeiros tratamentos.

    Um dos gorilas tem apenas sete meses de idade e foi batizado de Kyasa. Resgatado em dezembro de 2010, o animal tinha uma ferida no quadril, causada por caçadores, além de apresentar sinais de estresse e desidratação.

    Depois de um mês de quarentena em Goma, período no qual foi atendido por veterinários e tratadores, o jovem gorila recuperou a confiança. Depois de chegar em Grace, ele já é visto pendurado em árvores e tentando bater com as mãos no peito, como os adultos fazem. Hoje, Grace já abriga cinco gorilas, enquanto seis outros estão em instalações temporárias na cidade de Kinigi, em Ruanda, onde passam por uma quarentena antes de ser transferidos.

    Grace diz ser o único local do mundo que reabilita gorilas com a intenção de liberá-los para a vida selvagem. O processo pode levar muitos anos, já que não existe muito conhecimento a respeito dos gorilas de Grauer. Apenas dois espécimes vivem em zoológicos em todo o mundo - ambos em Antuérpia, na Bélgica.

    Estudo: ancestral do homem já andava ereto há 3,2 mi de anos

    Um osso fossilizado do arco do pé, encontrado na Etiópia, revela que os ancestrais humanos andavam eretos 3,2 milhões de anos atrás e não eram mais escaladores de árvores, segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira da revista Science.

    O osso pertence a um conjunto do famoso hominídeo Lucy, cuja espécie, o Australopithecus afarensis, vagou pelo leste da África, e seria a primeira evidência de como eles costumavam se deslocar por lá.

    "Este quarto metatarso é o único conhecido do A. afarensis e é uma peça chave da evolução remota da forma única com que os humanos caminham", disse William Kimbel, coautor do estudo na Universidade do Estado do Arizona.

    O arco do pé serviria como alavanca para sair do chão no início de uma caminhada e para absorver o impacto quando o pé volta a pisar, sugerindo que o pé de Lucy era parecido ao nosso.

    Os símios têm pés mais planos, flexíveis e dedos grandes que lhes permitem se agarrar às árvores, atributos que não estão presentes no A. afarensis.

    "Compreender que os arcos dos pés apareceram muito cedo na nossa evolução mostra que a estrutura única dos nossos pés é fundamental para a locomoção humana", disse a coautora do estudo, Carol Ward, da Universidade do Missouri.

    Uma espécie mais velha, o Ardipithecus ramidus, da Etiópia, é o tipo mais remoto de homem moderno do qual os paleontólogos descobriram vestígios significativos de esqueleto. Ele viveu 4,4 milhões de anos atrás, mas seus pés, mais semelhantes aos de um símio, indicam que caminhava ereto apenas parte do tempo.

    Fonte:AFP -

    Fósseis de dentes podem mudar teoria da evolução humana


    Fósseis de dentes de 400 mil anos foram encontrados durante uma escavação por arqueólogos israelenses.


    Segundo os pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, dentes seriam de seres humanos modernos, tornando o fóssil a mais antiga evidência da existência de um Homo sapiens

    A teoria aceita atualmente é a de que os Homo sapiens se originaram na África há cerca de 200 mil anos antes de se espalhar pelo mundo.

    Aparelho portátil detecta vírus em 35 minutos

    Testes realizados comprovaram eficácia deste "micro-laboratório"
    Aparelho pode ser adaptado para detectar vários vírus
    Aparelho pode ser adaptado para detectar vários vírus
    Um artigo publicado na revista “Lab on a Chip” revelou a criação de um pequeno dispositivo portátil capaz de detectar vírus em apenas 35 minutos e que tem potencial para salvar milhões de vidas, sobretudo nos países que dispõem de poucos laboratórios clínicos.
    O aparelho, desenvolvido no Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura, incorpora a mais avançada tecnologia para a detecção de vírus em tempo real. Trata-se da reacção em cadeia da polimerase (PCR), que cria e multiplica cópias de ADN complementar do RNA viral, misturando-as com um corante fluorescente.

    As diferenças subtis na intensidade da fluorescência reflectem a presença e a quantidade do RNA viral, o que permite identificar o vírus e ainda detectar a sua concentração.
    Apesar da eficácia desta técnica, os aparelhos convencionais de PCR são de grandes dimensões, precisam de ser instalados em laboratórios e comportam grandes custos. Mas os investigadores de Singapura conseguiram minimizá-los e fazer com que coubessem na palma de uma mão e funcionassem a pilhas, através do recurso a micro-chips e à substituição dos lasers e os fotomultiplicadores por LED's.

    "O dispositivo de detecção já está pronto para ser utilizado e pode ser adaptado para detectar vários vírus", afirmou Juergen Pipper, um dos autores deste projecto.

    Os testes realizados comprovaram que o dispositivo conseguiu detectar o vírus da gripe aviária em apenas 35 minutos. À mais-valia da sua rapidez, junta-se o baixo custo deste “micro-laboratório”.

    À prova de seca

    Pesquisadores brasileiros identificaram no café um gene que torna a planta resistente à falta d’água. No Estúdio CH desta semana, o geneticista Marcio Alves Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fala sobre essa descoberta e suas aplicações.

    Em entrevista a Fred Furtado, Ferreira, um dos coordenadores da pesquisa, explica que a descoberta do gene é resultado de uma colaboração científica entre Brasil e Argentina. Essa parceria permitiu a mineração do banco de dados genéticos oriundo do sequenciamento do genoma do café por meio de programas de computador.

    O pesquisador conta que uma das alterações provocadas pelo gene pode ser a mudança da morfologia do sistema radicular (da raiz) da planta, o que auxiliaria na absorção da pouca água disponível em condições de seca. Segundo ele, a ideia é, no futuro, transferir essa característica de resistência para outras espécies vegetais, especialmente aquelas importantes para a agricultura brasileira.

    O geneticista fala ainda sobre a eficiência desse processo de transferência em laboratório, os riscos da experiência e as patentes geradas pela pesquisa.

    Clique abaixo para ouvir a entrevista completa.

    Foto: Ana Labate/ Sxc.hu

    Tamanho: 4.8 MB
    Tipo de arquivo: MPEG-1 Audio Layer 3 (audio/mpeg)
    Bit rate: 64 Kbps
    Frequência 44 Khz
    Duração da faixa: 10:31 (mm:ss)

    À mercê dos embriões?

    Pesquisadora brasileira comenta estudo norte-americano que mostra que células adultas reprogramadas para um estágio em que sejam capazes de se diferenciar em diversos tecidos não são tão parecidas com as células-tronco embrionárias quanto se acreditava.

    À mercê dos embriões?

    Colônia de células-tronco embrionárias humanas. (foto: Nissim Benvenisty – CC BY NC SA 2.5)

    Há quatro anos, nenhuma das células-tronco já descritas pela ciência tinha apresentado potencial terapêutico tão promissor quanto as embrionárias humanas, isoladas em 1998 pelo grupo do pesquisador norte-americano James Thomson. A característica que faz dessas células tão auspiciosas é a pluripotencialidade, ou seja, a capacidade de se transformar em todos os tipos celulares de um indivíduo adulto.

    Assim, a mesma célula-tronco que poderia ajudar no tratamento de um infarto ao se transformar em uma célula do coração, serviria também para recuperar neurônios da medula de um paraplégico, dando-lhe a esperança de voltar a andar.

    No entanto, apesar da versatilidade dessas células já ser comprovada, sua utilização clínica, que começou a ser testada no ano passado, ainda é um sonho para muitos pesquisadores e pacientes.

    Em 2007, porém, o mesmo James Thomson conseguiu, concomitantemente ao grupo japonês do pesquisador Shinya Yamanaka, transformar células adultas de pele humana em células pluripotentes (reprogramação celular).

    Além de não serem derivadas de embriões, como as células-tronco embrionárias, as células conhecidas pelo acrônimo iPS (do inglês, induced pluripotent stem cells) poderiam ser derivadas do próprio paciente que as receberia, evitando o risco de rejeição em uma terapia.

    Resultados de estudos iniciais conferiram às células iPS o status de “alternativa perfeita” às células-tronco derivadas de embriões

    Ou ainda, por possuírem o mesmo material genético do doador, se tornariam a ferramenta ideal para criar modelos de estudo de doenças, pois as células diferenciadas a partir das iPS seriam muito similares às encontradas nos pacientes.

    Os primeiros estudos que comparavam as células-tronco embrionárias às células iPS analisavam tanto características fenotípicas – por exemplo, potencial de diferenciação –, quanto o padrão de metilação global do DNA, ou seja, a incorporação de grupamentos metil (radicais formados por um átomo de carbono ligado diretamente a três de hidrogênio) em regiões reguladoras de genes, o que dificulta, geralmente, a expressão dos mesmos.

    A maioria desses estudos só confirmou a enorme semelhança que existe entre ambas as células pluripotentes, conferindo às células iPS o status de “alternativa perfeita” às células-tronco derivadas de embriões.

    Células iPS
    Colônias de células iPS reprogramadas a partir de células da pele apresentam morfologia muito semelhante à de células-tronco embrionárias. (foto: Bruna Paulsen e Renata Maciel/ LaNCE-UFRJ)

    Mas teríamos de fato criado a máquina do tempo capaz de fazer uma célula adulta voltar a ser exatamente o que era quando fazia parte do embrião?Nem tão parecidas assim

    Diferentemente do que vinha sendo proposto, estudos recentes apontam cada vez mais diferenças marcantes entre as células-tronco embrionárias e as iPS, levantando a questão de quão completa e variável pode ser a reprogramação das células adultas ao estágio pluripotente.

    Pela primeira vez, o grupo norte-americano liderado pelo pesquisador Joseph Ecker – e do qual o mesmo James Thomson faz parte – mostrou, em trabalho publicado na revista científica Nature na semana passada, que as células iPS não são tão parecidas com as células-tronco embrionárias quanto se pensava.

    Ao avaliar o padrão de metilação – não mais de forma global, mas fazendo uma análise minuciosa de todo o genoma –, o grupo observou que as células iPS apresentavam regiões do DNA com padrões aberrantes em relação às genuínas células-tronco embrionárias.

    Estrutura do DNA
    Estrutura em dupla hélice de um pedaço de DNA. (foto: Wikimedia Commons)

    Além disso, os pesquisadores observaram que as células reprogramadas guardavam, sob alguns aspectos, uma memória epigenética (referente às modificações na estrutura do DNA que ocorrem independentemente de alterações na sequência de seus genes) da célula adulta de origem.

    Essas diferenças devem-se, provavelmente, à dificuldade de acessar e remodelar algumas regiões do genoma devido à organização estrutural do DNA anterior à reprogramação.

    Ainda não se sabe como esses “erros” poderiam ser evitados. Mas é fato que eles existem e parecem ser intrínsecos ao processo de reprogramação, uma vez que o grupo testou diferentes linhagens de células iPS produzidas, inclusive, em diferentes laboratórios.

    Viabilidade das células reprogramadas

    Como o processo de geração de células iPS não é um fenômeno que ocorre naturalmente, é de se esperar que ele seja suscetível a imperfeições e pequenas variações, o que certamente não o torna menos fascinante e promissor. Mas até que ponto essa diferença inviabilizaria a utilização das células iPS?

    Caso o mesmo James Thomson ou, quem sabe, outro pesquisador não consiga encontrar a solução para evitar esse tipo de aberração, uma alternativa seria investigar as consequências desses “erros”, e se elas inviabilizariam o uso dessas células. Padrões de metilação aberrantes podem ter grandes implicações, sim. Ou não.

    Estudos que comprovem a funcionalidade e a não malignidade dessas células são complementares a este e podem ajudar a responder a questão.

    As pesquisas com células iPS ainda são muito recentes. Estudos como esses, que ajudam na caracterização das células, são de extrema importância conceitual e, obviamente, para a definição de sua aplicabilidade na pesquisa básica e clínica.

    Por enquanto, as diferenças entre as iPS e as células-tronco embrionárias não são suficientes para embargar os estudos de reprogramação

    Ainda é cedo para dizer se as células iPS se tornarão obsoletas. Por enquanto, as diferenças observadas entre as iPS e as células-tronco embrionárias não são suficientes para embargar os estudos de reprogramação.

    No Brasil, ainda são poucos os grupos trabalhando com células iPS, apesar de o número de pesquisadores interessados em iniciar uma linha de pesquisa com essas células ser cada vez maior. Esperamos e acreditamos que trabalhos produzidos inteiramente no país sejam competitivos e possam colaborar para a geração de conhecimento na área.

    Enquanto isso, uma prova de que as pesquisas com células iPS ainda são bastante promissoras e não perderam o encanto foi a publicação na revista Cell, no final do ano passado, do trabalho desenvolvido pelo pesquisador brasileiro Alysson Muotri na Califórnia.

    O grupo do pesquisador utilizou as células iPS como ferramenta para modelar a Síndrome de Rett – um dos tipos mais graves de autismo –, recapitulando os estágios iniciais do desenvolvimento da doença e gerando um instrumento promissor para o rastreamento de fármacos, diagnósticos e tratamentos personalizados.

    Em relação à aplicação clínica das células iPS, muito mais ainda precisa ser investigado. Foram necessários doze anos entre o isolamento das células-tronco embrionárias humanas e o início do primeiro estudo clínico com essas células. Certamente, nesse sentido, as iPS ainda estão só engatinhando.
    Bruna Paulsen
    Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias
    Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Petrobras vira nome de titanossauro descoberto na Argentina

    Sinal dos tempos: hoje em dia até dinossauro tem "naming rights" --termo que se usa quando uma empresa coloca o seu nome em um estádio de futebol ou em uma sala de cinema, por exemplo.

    O caso de merchandising paleontológico mais recente é o de um titanossauro argentino herbívoro e quadrúpede com 85 milhões de anos de idade, 22 metros e até 35 toneladas que ganhou o nome da Petrobras, descoberto por pesquisadores de lá.


    Editoria de Arte/Folhapress

    Casos parecidos aconteceram recentemente com outras empresas do ramo da Petrobras. O dino Futalognkosaurus dukei, de 2007, por exemplo, tem esse nome por causa da Duke Energy. O Panamericansaurus, do ano passado, refere-se à Pan American Energy.

    A homenagem dos hermanos não é, claro, só um gesto de camaradagem latino-americana: a Petrobras, que hoje tem vários poços pelo país, dá suporte logístico (como alojamento e alimentação) a paleontólogos do país que tentam encontrar fósseis perto das perfurações.

    Segundo Leonardo Filippi, paleontólogo do Museo Municipal Argentino Urquiza e autor do artigo científico, não é bem, então, que a Petrobras tenha "comprado" o nome do bicho. Nas palavras dele, é um "reconhecimento da colaboração constante" da empresa brasileira.

    Involuntariamente, os argentinos acabaram revivendo a crítica de que a Petrobras, supostamente gigante e lenta, seria um dinossauro. Ao menos não deram ao bicho o famigerado apelido de "Petrossauro", mas sim o nome de Petrobrasaurus puestohernandezi --o segundo nome por causa de Puesto Hernández, na Patagônia, local onde o animal foi achado.