quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pássaros e jacarés respiram da mesma forma

Cientistas descobrem como os antepassados de ambos conseguiram sobreviver à extinção


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Cientistas estudaram os padrões de fluxo do ar e da água nos pulmões dos crocodilos
Os jacarés e os pássaros respiram da mesma forma, através de uma estrutura pulmonar muito particular. O estudo da Universidade de Utah (Salt Lake City, EUA) agora publicado pela «Science» explica que o ar flui nas vias respiratórias destes répteis numa única direcção. Característica que se acreditava ser apanágio dos pássaros.

Este método de respiração pode ter permitido aos antepassados destes animais serem mais resistentes e dominarem a Terra depois da extinção massiva ocorrida há 251 milhões de anos.

Depois da extinção que provocou a morte de 70 por cento da vida terrestre e 96 por cento da marinha, estes répteis – arcossauros – foram os animais que dominaram o planeta. Terá sido uma forte actividade vulcânica ou o impacto de um grande asteróide que provocou a catástrofe.

O nível de oxigénio no ar era de 12 por cento e só quem possuísse determinadas características conseguiria sobreviver. Foi o caso dos arcossauros, que mais tarde se dividiram em dois ramos: os Crurotarsi, que incluem os arcossauros próximos dos crocodilos e Ornithodira, que incluem os pterossauros, mais próximos das aves.
Kent Sanders, Universidade de Utah
Kent Sanders, Universidade de Utah
Os investigadores acreditam que os antepassados que as aves e os crocodilos partilham, adquiriram há 246 milhões de anos este método de respirar.
A equipa composta por C. G. Farmer e Kent Sanders estudou os padrões de fluxo do ar e da água nos pulmões dos crocodilos americanos. Os resultados provam que este é unidireccional e muito semelhante ao das aves. Ainda assim, não se percebe ainda como os crocodilos controlam este tipo de respiração sem os sacos de ar que os pássaros têm nos pulmões.
Este sistema permite aos pássaros percorrer grandes distâncias e também ajudou os antepassados dos crocodilos a sobreviver à extinção. Percebe-se agora porque com menos oxigénio os arcossauros foram capazes de sobreviver.

Grilo polinizador de plantas

Estudo publicado na revista «Annals of Botany»


Uma câmara de alta sensibilidade de gravação nocturna registou um grilo que poliniza plantas, na Ilha da Reunião, no Oceano Índico. A captação de imagens foi realizada por uma equipa de investigadores, da universidade local, do Real Jardim Botânico britânico e da Universidade de Estrasburgo, e cujos resultados foram publicados na revista «Annals of Botany».

A descoberta desta espécie de Glomeremus de hábitos nocturnos foi feita quando os cientistas estudavam um tipo raro de orquídea, e apesar de ainda estar a aguardar a atribuição de um nome científico, o grilo já é conhecido localmente por Raspy cricket.

Até hoje não tinha sido cientificamente comprovado que estes pudessem fazer de agente polinizador, apenas eram conhecidos como devoradores de plantas. A polinização das flores na ilha era um mistério, e aquando da visualização das imagens, os investigadores verificaram que transporta as bolas de pólen na cabeça e que são bastante eficazes, já que a cabeça do bicho corresponde ao canal do néctar da orquídea.

Para além desta particularidade, esta espécie tem a característica de viver num lugar fixo, porque normalmente os grilos vão mudando de local à medida que procuram comida. Tem entre dois e três centímetros e longas antenas na cabeça.

Macaco primitivo aprende conceitos de matemática

Macaco reso repousa em árvore; indivíduos da espécie aprenderam conceitos matemáticos simples sem memorização em estudo alemão
A compreensão de princípios básicos de matemática não é exclusividade de humanos e seus "parentes" evolutivos mais próximos, como o chimpanzé.

Cientistas alemães descobriram que o macaco reso, espécie asiática que divergiu do homem há 25 milhões de anos, é capaz de reter conceitos simples, como "mais" e "menos".

"Os resultados dos macacos, de certa forma, lembram o estágio inicial das capacidades cognitivas em crianças pequenas", disse à Folha Andreas Nieder, neurocientista da Universidade de Tübingen que liderou a pesquisa.

Embora a desenvoltura dos macacos com números já fosse conhecida, os resultados do estudo --publicado nesta terça-feira (19) no periódico científico "PNAS"-- abordam a questão por um ângulo diferente. E em primatas evolutivamente distantes dos humanos.

Melhores que universitários

Pesquisas anteriores na Universidade de Kyoto, no Japão, já haviam medido o desempenho cognitivo de macacos, baseando-se principalmente na capacidade de memorização.

Nesses testes, alguns chimpanzés chegaram a ter resultados melhores do que estudantes universitários.

Dessa vez, porém, os cientistas quiseram analisar até onde os macacos seriam capazes de "aprender" de fato, e não apenas memorizar resultados das operações.

No experimento alemão, os macacos tinham de distinguir figuras com "mais" objetos das figuras com "menos" objetos. Ao acertar, recebiam uma recompensa como estímulo.

Para garantir que os macacos não estariam simplesmente decorando as figuras, os pesquisadores mudavam constantemente sua representação gráfica. A forma, o tamanho e até o espaçamento entre os objetos estava sempre variando.

"A mera compreensão da magnitude numérica não era suficiente. Eles tinham de entender princípios matemáticos básicos e não simbólicos para atingir o objetivo", diz Nieder.

Deu trabalho. Durante quase um ano, sua equipe se dedicou a ensinar o conceito de "maior" e "menor" aos resos.

As regras das operações foram apresentadas centenas de vezes em telas no laboratório, até que eles as aprendessem.

Nos testes, quanto maior a diferença entre as partes, melhores eram os resultados dos macacos. Ou seja, para eles é bem mais fácil, por exemplo, reconhecer que "seis é maior que dois" do que acertar que "seis é maior que cinco".

Mapeamento cerebral

Após essa etapa, os cientistas se dedicaram a mapear áreas do cérebro relacionadas a essas operações.

Eles escanearam o córtex pré-frontal --região abaixo da testa-- dos macacos e mostraram que neurônios ali ajudam a processar conceitos matemáticos abstratos.

Segundo os cientistas, o resultado é um passo importante para entender como humanos chegaram à interpretação de símbolos numéricos e aos sistemas matemáticos formalizados.

"Operações matemáticas simbólicas podem cooptar ou "reciclar" os circuitos pré-frontais para enriquecer e aumentar nossas capacidades matemáticas simbólicas", afirma Nieder, sugerindo a realização de testes comparativos entre humanos e macacos.
Fonte: Folha Online

Agência espacial europeia lança satélite para medir salinidade de oceanos

Missão cumprida para os satélites SMOS e Proba II lançados em novembro 2009 da base russa de Plessetsk. Os dois engenhos vão estudar os oceanos e as radiações solares de forma a ajudar os cientistas a analisar as consequências do aquecimento global. O SMOS vai assim medir a salinidade dos oceanos e o nível de humidade do solo. Os sensores do satélite vão permitir construir uma nova cartografia dos solos terrestres até dois metros de profundidade, renovada a cada três dias e com uma resolução de até 43 km de extensão. A humidade é um dado essencial para melhorar as previsões meteorológicas e antecipar no futuro os riscos de seca e de inundações, mas que deverá ser útil para a agricultura, pesca e navegação marítima. É a primeira vez que os cientistas vão acompanhar a evolução da salinidade do mar e das correntes marítimas responsáveis pelos fenômenos climáticos terrestres. O satélite proba II deverá, por seu lado, analisar as radiações solares e a sua influência no clima espacial. O projecto da ESA (Agência Espacial Europeia) orçado em 315 milhões de euros colocou já em órbita um satélite para medir a gravidade terrestre e deverá lançar, em Fevereiro, um aparelho para medir a densidade dos gelos oceânicos.

Se a toda hora chegam bilhões de litros de água doce ao mar, por que ele continua salgado?

por Fred Linardi

Porque os 100 bilhões de litros de água doce que desembocam diariamente dos rios são quase insignificantes comparados ao volume de água e de sais que compõem os oceanos - a evaporação na superfície marítima também ajuda a manter a salinidade constante. Para entender melhor, imagine se o 1,3 quatrilhão de litros de água dos oceanos equivalesse aos 500 mililitros de uma garrafa de água mineral. Nessa escala, seriam necessários 17,5 gramas de sal para imitar a salinidade média de 3,5% que ocorre nos oceanos, e o volume de água doce escoando diariamente para dentro da garrafa seria de apenas uma gota d’água*. Em zonas costeiras, porém, esse "pequeno" volume de água doce vinda dos rios diminui a concentração de sais. "Mas em águas afastadas da costa, com profundidade abaixo de 100 metros, as correntes marítimas misturam a água doce com o enorme volume de água e de sais, fazendo com que a salinidade do oceano seja pouco alterada", explica Elisabete de Santis Braga, do Instituto Oceanográfico da USP.
- 100 bilhões de litros de água doce
- 1,3 quatrilhão de litros de água salgada
- 45,5 trilhões de toneladas de sal

*considerando o volume de 0,05 ml para uma gota d’água

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Médicos oferecem injeções para "aumentar o ponto G"

Enquanto alguns casais ainda se empenham para tentar encontrar o tal ponto G, que garantiria o prazer feminino na hora da penetração, alguns médicos propõem um atalho polêmico para se atingir finalmente o alvo.
A idéia é aplicar uma injeção intravaginal de colágeno para aumentar essa região e torná-la mais sensível.
Patenteada nos Estados Unidos como G-Shot, a injeção é mais conhecida no Brasil como a técnica que promove o aumento do ponto G - e está longe de ser popular. Poucos médicos admitem aplicar o procedimento que custa cerca de R$ 2,5 mil e que não é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
A aplicação do colágeno também não tem a aprovação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso na cavidade interna da vagina, apenas para o preenchimento cutâneo, ou seja de lábios e rugas. Porém, por meio de sua assessoria, a Anvisa declarou que não pode interferir na ação dos médicos que indicam a técnica para as pacientes e que, portanto, devem se responsabilizar sobre as conseqüências.
Como funciona na prática
Uma anestesia é aplicada a 4cm da entrada do canal vaginal, na região superior (a região onde se encontra o tal ponto G), e, em seguida, é injetado o produto (cerca de 1cm3). A aplicação resulta em um leve aumento do local.
De acordo com os defensores da técnica, ao inflar o ponto G, a excitação teria maiores chances de acontecer.
Os que vão contra o procedimento, afirmam que consideram que o caminho para a satisfação sexual seja o autoconhecimento; que oponto G fica saliente por causa do estímulo sangüíneo que infla a região em decorrência da excitação e que a mulher que diz não ter esse ponto é porque nem excitada fica. O caminho é se conhecer, se tocar e, claro, dividir isso com o parceiro, esclarescem. Outros creditam o sucesso do método ao suporte psicológico que ele dá à mulher.
Uma pessoa que já experimentou diz que sentiu uma melhora significativa entre quatro paredes. “Estou me sentindo 100% realizada. Agora estou confiante”, disse. O procedimento, segundo esta pessoa, é praticamente indolor. “Senti apenas a picadinha da anestesia”, conta.
Os efeitos duram por cerca de um ano, depois disso o colágeno é absorvido pelo organismo, daí a necessidade de uma “recarga”. O único inconveniente da técnica é o resguardo sexual. A mulher deve ficar 15 dias sem ter relações sexuais para que o produto se fixe e o volume seja definido.
Mas, afinal, esse ponto realmente existe?
Segundo o médico alemão Ernst Gräfenberg - o primeiro a estudar em 1950 as diferenças do tecido da vaginal - sim. O “G”, aliás, é uma homenagem ao sobrenome do médico, e tanto o ponto quanto o termo “ponto G” foram reconhecido na década de 80. Essa região é mais sensível e, quando estimulada durante a penetração, pode se expandir até atingir o tamanho de uma pequena moeda. O resultado é um intenso orgasmo.
Leia também o post Obsessão do ponto G